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LAGOINHA


20150329_183333
no espelho do céu

entre gramas e por cima dos peixes

o menino pisou no avião

seus pés fizeram a rala água chorar para cima e o que ele desejava sumiu

sumiu pelo seu esforço em pegar o que não existe

então ele olhou para o céu

em busca do que não podia al

cançar

o menino esconde o que ele quer

dele mesmo

constrói uma caixinha para guardar

depois tem medo

(e fascinação) de abrir a caixa

no escuro

escuta barulhos de avião no céu

olha para a caixa

e acredita que conseguiu guardar o que não se tem

quando o sol aparece

há sons se escondem

porque os sons não são visíveis

os sons não precisam de luz

Dai o menino põe a caixa na lagoinha

e acha que avião sabe nadar

só porque a água é um espelho do céu


com a grandeza da vida despencando em gomos

es
pa
tifando suculentos

                na infinitude que é estar no momento certo

elas se entregam ao
nada
se deixam cair

pois é para isso existir

amor
é a Existência durante esse momento

é tudo o que há


Uma figura de óculos, vestido xadrez e alma listrada procurava brechas entre as bolhas de realidade que a camera captava.
Com obstinação, sendo apontada pelo seu nariz em seta, precisamente retrocedia e fixava o relógio em quadro
fazendo cócegas no tempo

continuidade lógica é o que separa a vida do cinema

AÇÃO

a cena se repetia
as falas, as mesmas
e o sol até ousaria rebobinar não fossem os refletores que artificializavam o sel

eu te amo CORTA
eu te am CORTAA
eu te CORTA! MAIS EMOÇÃO
CORTA CORTA ME CORTA

algo falhou de novo

os ponteiros novamente se arrependiam por obrigação
e a tarde sucedeu com aquele relógio soluçando contra si mesmo

tossia seus minutos ao revés e aos poucos ia perdendo sua existência enquanto atores sugavam o tempo num cenário estatisticamente bagunçado

o personagem só existe porque o tempo nele não existe

eu te amo porque o dia em que eu te conheci eu estava vazia – atriz em prantos
muito bem

CORTA

o amor só existe porque o personagem nele não existe


no começo eu só era
e só fui
por muito tempo
sem saber que eu era também dos outros
ou o que os outros me eram

depois

eu estava certa de que não havia nada mais óbvio no mundo que eu me tornar acrobata de baleia
cientista detetive arqueóloga também respondiam bem ao O QUE VOCÊ VAI SER QUANDO CRESCER?

mas claro que na lógica : cava o quintal acha um Parthenon
quando eu vi na TV um deles chorando porque tinha achado um pedaço de dente que estava procurando com um pincel há 15 anos
eu desisti mais instantânemente que Nescau

mas

fiz 17 anos de balet que equivalem a história do dente.
botei presunto no pedaço em carne viva (carne com carne não dói)
uma professora alemã que me ensinou

Não me arrebendo
e vejam só
do balé pra atuação pra cinama pra me ver de fora pra me perguntar o que é isso de se ver
e tentar responder pra mim escrevendo

e brinca de cientista cavando acrobáticamente no mistério que é o ser uma pessoa

ou outra

e o que nós faz
afinal
acho que o que eu quero mesmo
é partilhar o que eu tenho descoberto sobre alegria
e descobrir que eu estava errada
porque o que me responderam foi muito maior

semente


adereçar em pérolas
a dor que não dói
só existe
paz voraz
quietude ofegante
gigante
que vai só alargando as coisas por dentro
mas como se fosse segredo
como se fosse possível não sentir o que se sente
como se o coração soubesse desembaraçar a mente
sinceramente:
sim, será a mente?
ela só mente
somente ao coração
que quer dizer a poesia
e eu quero não

orvalho


não se pode querer felicidade em enchurrada

quando o que acontece em sua vida são pequenos cristais de alegria liquida 

molhando o seu corpo por correr na plantação

eu  gostava de enchurradas

 de todo tipo

mas não  sei  se é porque agora meu coração tem muletas e curativos

quero aprender a colher de mansinho

o amor refrescante que você me dá

escorado em caule e folhas

das palavras sérias


amor que não passa

é alma que vai `a caça

é coração que tenta e não disfarça

é a cabeça dizendo que é farsa

 

é casa

com asa